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Raquel Ricciardi – Psicóloga CRP: 06/76019

“O que quer a alma (o ser) ao imaginar, ou ao realizar em ato irreversível, diante do mundo, essa possibilidade simultânea de matar e de morrer? ” (James Hillman)

                A cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio em algum lugar no mundo. Todos os anos perto de 800 000 pessoas tiram a própria vida, e há muitas mais pessoas que se suicidam. A cada 3 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida. O suicídio está entre as três maiores causas de morte entre pessoas com idade entre 15-35 anos. O Brasil é oitavo do PIS em número de suicídios. Os homens cometem mais suicídio que mulheres, mas mais mulheres tentam suicídio. A taxa de suicídio tem dois picos:  em jovens (15 – 35 anos); em idosos (acima de 75 anos).

                Em 2015 a Associação Internacional de Prevenção do Suicídio estabeleceu o mês de setembro como setembro amarelo e o dia 10 de setembro como o Dia internacional de prevenção ao suicídio.

                Compreende-se que o setting terapêutico é permeado por demandas diversas decorrentes do viver. Dentre elas, pode-se mencionar questões concernentes sobre a morte e o suicídio, notando-se inclusive se tratar de um tema extremamente atual, seja por séries como “13 reazons why”, lançada no início de 2017, por jogos que envolvem riscos para o público adolescente, como o Jogo da Baleia, ou suicídios de celebridades, como a morte de Chris Cornell, ocorrida no mês de maio deste mesmo ano.

                O suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Ele resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais. É difícil explicar porque algumas pessoas decidem cometer suicídio, enquanto outras em situação similar ou pior não o fazem. Contudo a maioria dos suicídios pode ser prevenida.

                Suicídio não ocorre apenas em países de alta renda, mas é um fenômeno global em todas as regiões do mundo. Na verdade, mais 78% dos suicídios globais ocorreu em países de baixa e média renda em 2015.

                Estudos tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento revelam dois importantes fatores relacionados ao suicídio. Primeiro, a maioria das pessoas que cometeu suicídio tem um transtorno mental diagnosticável. Segundo, suicídio e comportamento suicida são mais frequentes em pacientes psiquiátricos. Esses são os grupos diagnósticos, em ordem decrescente de risco de: 1-  depressão (todas as formas); 2- transtorno de personalidade (antissocial e Borderline com traços de impulsividade, agressividade e frequentes alterações do humor); 3- alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes); 4-  esquizofrenia; 5-  transtorno mental orgânico.

                Enquanto a ligação entre o suicídio e transtornos mentais (em particular, a depressão e álcool transtornos de uso) é bem estabelecida em países de alta renda, muitos suicídios acontecem impulsivamente em momentos de crise com um colapso na capacidade de lidar com as tensões da vida, tais como problemas financeiros, relacionamento rompimento ou dor crônica e doença.Além disso, passando por conflitos, desastres, violência, abuso, ou perda e uma sensação de isolamento são fortemente associados com comportamentos suicidas. Taxas de suicídio também são altas entre grupos vulneráveis que sofrem discriminação, tais como os refugiados e migrantes; povos indígenas; lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, pessoas intersexuais (LGBTI); e os prisioneiros. De longe o mais forte fator de risco para o suicídio é uma tentativa de suicídio anterior.

                A maioria dos que cometem suicídio passaram por acontecimentos estressantes nos três meses anteriores ao suicídio, como: • Problemas interpessoais: ex. discussões com esposas, família, amigos, namorados; • Rejeição – ex.: separação da família e amigos; • Eventos de perda – ex.: perda financeira, luto; • Problemas financeiros e no trabalho – ex.: perda do emprego, aposentadoria, dificuldades financeiras; • Mudanças na sociedade – ex.: rápidas mudanças políticas e econômicas; • Vários outros estressores como vergonha e ameaça de serem considerados culpados.

                Estima-se que cerca de 30% dos suicídios globais são devido a auto intoxicação por pesticidas, a maioria das quais ocorre no meio rural agrícola em países de baixa e média renda. Outros métodos de suicídio comuns são suspensos e armas de fogo.

                O sintoma mais frequente é desesperança, ou seja, a crença de que nenhuma ação pode sanar o sofrimento que aquela pessoa está vivendo. A maioria das pessoas que tentam suicídio o faz como uma maneira de escapar de uma situação insuportável. Mesmo no momento de desespero em que desejamos morrer, o que queremos é uma transformação instantânea.

                O Homem moderno que perdeu sua ligação com os fundamentos arquetípicos que indicam o destino do seu Ser, tornou-se presa fácil da insegurança que só faz duvidar do sentido e significado de sua existência. Compensatoriamente estas pessoas esperam o milagre de uma nova existência depois da morte, muito mais do que desejam fazer um esforço pessoal para se submeter a uma mudança pessoal do lado de cá da vida.

                O desejo de dar fim a si próprio significa que o indivíduo chegou a um limite de si mesmo e que desta maneira não tem como prosseguir. “O suicídio é uma tentativa de mudar de uma esfera para outra à força, através da morte” (Hillman, 2009, p. 80) O que a alma busca através das tentativas suicidas é resignificar a vida.

                É interessante observar que a decisão suicida é uma escolha e que muitas vezes promove alívio, estudos demonstram que a pessoa após tomar sua decisão na maioria das vezes se demonstra calma, não dando qualquer sinal de sua intenção de se matar. Provavelmente a busca da morte pelo paciente suicida se relaciona com o desespero de que o sofrimento seja aniquilado e o desejo do indivíduo de renascer em uma “outra vida”. 

                A temática do suicídio nos suscita questões sobre coragem ou covardia, mas em alguma instancia nos força a firmar uma posição individual acerca de nossa posição existencial na vida. Viver conscientes do mal que existe em nós não é fácil e pode ser avassalador.

                Ainda existe muita dificuldade em falar do assunto, a negação em torno do suicídio só dificulta o acesso de quem precisa de ajuda e torna o assunto tabu para as famílias que vivenciam esta situação. O impacto psicológico, social e financeiro do suicídio é uma tragédia que afeta todas as famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas que ficaram para trás.

                Os esforços de prevenção do suicídio exigem coordenação e colaboração entre os vários setores da sociedade, incluindo o sector da saúde e outros setores como educação, trabalho, agricultura, negócios, justiça, lei, defesa, política e os meios de comunicação. Estes esforços devem ser abrangentes e integrados, como nenhuma abordagem única por si só pode fazer um impacto sobre uma questão tão complexa como suicídio.

COMO AJUDAR A PESSOA COM RISCO DE SUICÍDIO?

                O Psicoterapeuta Junguiano que conheceu o desespero sabe que o foco não deve ser salvar o paciente, ou tampouco expulsar a morte dos espaços por ela habitados. Pois, se a morte não pode ser considerada em sua realidade psíquica, ela se lança concretamente sobre o sujeito.

                Por mais paradoxal e angustiante que essa abordagem pareça, transformar a morte em metáfora possibilita que as fantasias suicidas se apresentem ao sujeito, o que abre caminho para que o paciente possa falar delas e com elas, sem precisar negá-las. Ao contrário de evitar o tema, de desviar a atenção e a libido do paciente para outros assuntos ou tarefas orientadas pelo ego (trabalho, viagem, estudos, família), o analista promove um encontro no setting com a morte, reconhecendo-a com um aspecto da alma que precisa falar e ser ouvida.

                O contanto inicial com o suicida é muito importante. Frequentemente o contato ocorre numa clínica, casa ou espaço público, onde pode ser difícil ter uma conversa particular. 1. O primeiro passo é achar um lugar adequado onde uma conversa tranquila possa ser mantida com privacidade razoável. 2. O próximo passo é reservar o tempo necessário. Pessoas com ideação suicida usualmente necessitam de mais tempo para deixarem de se achar um fardo e precisa-se estar preparado mentalmente para lhes dar atenção. 3. A tarefa mais importante é ouvi-las efetivamente. “Conseguir esse contato e ouvir é por si só o maior passo para reduzir o nível de desespero suicida. ”

                Sentimentos, pensamentos, tristeza, depressão: “Eu preferia estar morto”, Solidão: “Eu não posso fazer nada”, Desamparo: “Eu não aguento mais”, Desesperança: “Eu sou um perdedor e um peso para os outros. ”, Autodesvalorização: “Os outros vão ser mais felizes sem mim. ”

                O objetivo é preencher uma lacuna criada pela desconfiança, desespero e perda de esperança e dar à pessoa a esperança de que as coisas podem mudar para melhor.

Como se comunicar • Ouvir atentamente, ficar calmo. • Entender os sentimentos da pessoa (empatia). • Dar mensagens não-verbais de aceitação e respeito. • Expressar respeito pelas opiniões e valores da pessoa. • Conversar honestamente e com autenticidade. • Mostrar sua preocupação, cuidado e afeição. • Focalizar nos sentimentos da pessoa.

Como não se comunicar • Interromper muito frequentemente. • Ficar chocado ou muito emocionado. • Dizer que você está ocupado. • Tratar o paciente de maneira que o coloca numa posição de inferioridade. • Fazer comentários invasivos e pouco claros. • Fazer perguntas indiscretas.

Uma abordagem calma, aberta, de aceitação e de não-julgamento é fundamental para facilitar a comunicação.

”alguns escolhem a vida porque tem medo da morte e alguns escolhem a morte porque têm medo da vida. ”  (Hillman, 2009, p. 75-76)

Bibliografia:

HILLMAN, James. (2009) Suicídio e Alma. Petrópolis. Editora Vozes

HOLLIS, James. (1999) Os Pantanais da Alma. São Paulo. Ed Paulus.

JUNG, C.G. (1991) A natureza da psique.  Pag. 355. Petrópolis. Editora Vozes.

LOPEZ-PEDRAZZA, Rafael. (2010). As emoções no processo psicoterapêutico. Petrópolis. Ed. Vozes

GRAZI, Fabiana Binda (2016). Da tragédia grega ao Setting Analítico – Reflexões sobre o suicídio

http://www.who.int/mental_health/suicide-prevention/en/

 

http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/

 

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